Pai… nós sobrevivemos... O dia que demorou 15 anos para acabar!
- Artur Lacerda
- 21 de mai.
- 2 min de leitura
Pai, Hoje eu entendi uma coisa que talvez o senhor já soubesse desde sempre: o Fluminense FC não é um clube de futebol. É um teste de resistência emocional. E acho que poucos sobreviveram tanto quanto a nossa geração.

Eu lembro de 2008 como se tivesse sido ontem. Talvez porque, no fundo, nunca tenha acabado. Aquele silêncio depois do Maracanã, as lágrimas escondidas, a sensação de vazio… tudo continuou caminhando com a gente durante anos.
A vida foi acontecendo, mas uma parte nossa continuava parada naquela cobrança perdida.Você me ensinou a ser tricolor. E talvez nem imaginasse o tamanho da herança que estava me entregando. Porque torcer pelo Fluminense nunca foi sobre escolher o caminho mais fácil. Foi escolher sentir tudo até o limite.
E nós sentimos.
Sentimos em 2008.Sentimos nas quedas.Nas piadas.Nos “quase”.Nas eliminações dolorosas.Nas noites em que parecia que o mundo inteiro ria da nossa cara.Mas também sentimos algo que pouca torcida no planeta vai entender. A redenção.

Quando anunciaram que a final da Libertadores de 2023 seria no Maracanã, muita gente achou que era coincidência. Mas parecia destino.Como se a história estivesse voltando exatamente no lugar onde tinha deixado uma ferida aberta. E ela voltou. Só que dessa vez o roteiro mudou.Dessa vez a bola entrou.Dessa vez o tempo parou a nosso favor.Dessa vez o Maracanã explodiu pra gente.
O nosso capitão não era mais Thiago Silva. Era Nino.O nosso herói improvável não era Washington. Era Cano.O nosso maluco da vez não era Renato. Era Fernando Diniz, um homem que parecia enxergar futebol em dimensões que ninguém entendia.
E talvez tenha sido exatamente por isso que deu certo. Porque o Fluminense nunca vence de forma comum. Ele precisa transformar tudo em epopeia. Quando o juiz apitou o fim, eu não comemorei de imediato. Eu só chorei. Chorei porque parecia impossível. Chorei por quem ficou no caminho. Chorei pelos tricolores que partiram sem ver aquele momento chegar. Chorei porque, em algum lugar, eu queria acreditar que você também estava vendo. E naquele instante, pela primeira vez em quinze anos, parecia que a alma finalmente respirava. Como se alguém dissesse baixinho:
“Agora acabou.”

O Fluminense era campeão da América. De verdade. E talvez a Libertadores nunca tenha sido apenas uma taça. Talvez ela fosse a cicatriz que a gente precisava fechar. Pai… nós sobrevivemos. E o mundo inteiro finalmente teve que aceitar aquilo que o coração tricolor já sabia desde sempre: o impossível também veste grená, verde e branco.
Adaptação da crônica “Pai”, de Rica Perrone — 04/11/2023. ✍️




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